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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Diário Económico no seu melhor

As contas trimestrais revelam que Portugal já está em contracção acompanhando a tendência das restantes economias europeias. Só o consumo das famílias cresceu, mas a redução do IVA pode explicar esta subida. Investimento, exportações, procura interna e emprego desaceleraram.

in Diário Económico
Alguém me explica o "mas" neste parágrafo?
Já agora, para os que afirmavam que com uma redução de impostos as pessoas iam apenas poupar mais, isto não é uma contradição?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Incentivos Fiscais: Resposta I

O Paulo argumenta aqui que
as descidas temporárias dos impostos em tempos de crise têm de facto um efeito de promover o consumo.
Na verdade não argumenta. Remete antes para um estudo de Christina Romer com David Romer. No entanto, lendo o paper (eu não li mas tive oportunidade de ver a apresentação há uns tempos), percebemos que Romer estuda o efeito de descidas de impostos "exógenas". Afinal, as únicas cujos efeitos sobre variáveis endógenas como o Consumo, o Investimento e o Produto, se podem identificar correctamente através de regressões.

Quanto a usar estas estimativas para extrapolar efeitos de descidas endógenas ou em períodos de crise, isso depende da boa vontade do leitor e não é claramente argumentado pelos autores. Repare-se que eles definem mudanças de impostos exógenas como:
(i) addressing an inherited budget deficit
(ii) and promoting long-run growth
E apenas estudam o efeitos de variações deste género.

Já agora, é interessante ler no mesmo artigo que o aumento de impostos para corrigir um défice deixado por um governo anterior não afecta o crescimento:
Finally, we find suggestive evidence that tax increases to reduce an inherited budget deficit do not have the large output costs associated with other exogenous tax increases. This is consistent with the idea that deficit driven tax increases may have important expansionary effects through expectations and long-term interest rates, or through confidence.
Se quisermos abusar descaradamente na interpretação pode-se ler que aumentar os impostos no futuro para financiar os pacotes de incentivos fiscais não tem custos nenhuns.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Incentivos fiscais

João Pinto e Castro, no blogue jugular publica um artigo sobre o que ele chama "planinho" Barroso.

Nele, começa logo por criticar o tamanho deste plano, dizendo que 1,5% não é suficiente, para uma recessão que através da "paralisia do sistema financeiro ameaça bloquear o funcionamento da economia mundial, algo que, a esta escala, não sucedia há quase oitenta anos". Esta afirmação, que se repete muito ultimamente, é, no mínimo, enganadora. Como afirma Sala-i-Martin, neste artigo, há várias diferenças entre a grande depressão e esta recessão. De facto, 1,5% é um incentivo muito grande.

Pinto e Castro segue afirmando que "[b]aixar impostos não é uma solução, porque, na actualidade, tanto as empresas como os particulares privilegiam o entesouramento como forma de se protegerem contra o risco que adivinham no horizonte". No entanto, como por exemplo o demonstra um recente estudo dos Romers, as descidas temporárias dos impostos em tempos de crise têm de facto um efeito de promover o consumo. Ao contrário disso, há muitos poucos estudos sobre o efeito do investimento público no crescimento.

Pinto e Castro continua citando Keynes que "recomendou a Roosevelt após a sua eleição, do que agora se necessita é de gastar, gastar, gastar. Para evitar ter que gastar mais depois, quando isso for mais difícil e perigoso". No entanto, estudos sobre a grande depressão indicam que o que realmente salvou a economia da Grande Depressão foi a política monetária expansionista(veja-se, por exemplo, este estudo de Christina Romer).